Caminhadas regulares, mesmo curtas, estão ligadas a menor risco de mortalidade

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Caminhar regularmente, mesmo que seja menos do que o mínimo recomendado para o condicionamento físico, está associado a menor mortalidade por qualquer causa em comparação ao sedentarismo, de acordo com novos dados de um grande estudo de coorte norte-americano de prevenção do câncer entre os idosos.

“Muita gente se sente desmotivada para iniciar uma rotina de exercícios, acreditando que teria de começar a correr ou fazer grandes esforços”, disse a primeira autora Alpa Patel, PhD, pesquisadora da American Cancer Society. “A simples caminhada fora de casa traz enormes benefícios à saúde”.

Andar a pé é “simples, gratuito, e não exige nenhum treinamento”, sendo “a atividade ideal para a maioria dos norte-americanos, especialmente à medida que envelhecem”, observam Alpa e coautores.

Seu novo estudo foi publicado on-line em 19 de outubro no periódico American Journal of Preventive Medicine.

Várias diretrizes norte-americanas determinam que os adultos devem fazer mais de 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou 75 minutos de exercícios de forte intensidade por semana para ter uma “saúde ideal”. Isto é considerado o mínimo necessário.

Porém, este novo estudo mostrou que 120 minutos ou menos de caminhadas de intensidade moderada por semana também aumentam a longevidade.

Em outras palavras, você pode ficar aquém da meta mínima necessária de exercícios para os adultos e ainda assim se beneficiar.

Não se trata de fazer uma “caminhada rápida”, nem de “flanar pelo supermercado”, enfatizou Alpa. O estudo avaliou a caminhada “a passo médio”.

Nesse ritmo, você pode “acabar aumentando um pouco a sua frequência respiratória, permitindo que você caminhe cerca de 1,5 km em 20 minutos”, disse a pesquisadora.

“Caminhar nesse ritmo é considerado uma atividade de intensidade moderada, e isso é o que muita gente não percebe,” observou Alpa.

Um pouco é melhor do que nada

Andar a pé é o tipo mais comum de atividade física realizada pelos norte-americanos, o que tem sido relacionado com menor risco de doença cardíaca, diabetes, câncer de mama e câncer de cólon. Mas o novo estudo é o primeiro a examinar apenas a caminhada (separada das outras atividades) em relação à mortalidade entre homens e mulheres mais velhos.

Para tal, Alpa e colaboradores revisaram dados de mais de 62.000 homens e 77.000 mulheres recrutadas na Cancer Prevention Study II Nutrition Cohort, que entrevistou reiteradamente os participantes por meio de questionários enviados pelo correio. O desfecho primário do estudo foi a morte por qualquer causa entre 1999 e 2013.

A média de idade dos participantes em 1999 foi de 71 anos para os homens e 69 anos para as mulheres. 

No início estudo, em 1999, 5,8% dos homens e 6,6% das mulheres informaram não fazer nenhuma atividade física de moderada a vigorosa. Estes participantes “sedentários” tiveram 26% maior probabilidade de morrer prematuramente em comparação aos participantes do estudo que faziam “alguma” atividade, porém menos do que a recomendação mínima supracitada (hazard rate ratio = 1,26).

Contrariamente, a maior frequência de caminhadas foi associada a menor mortalidade por todas as causas (hazard rate ratio = 0,80).

“Você constata um risco 20% menor de mortalidade”, disse Alpa sobre a comparação entre os participantes do estudo que alcançaram ou ultrapassaram a meta mínima recomendada, e aqueles que caminharam pouco (menos do que o mínimo).

As análises multivariadas foram ajustadas para outros fatores de risco como tabagismo, obesidade e doenças crônicas.

“Claramente, quanto mais você caminhar, melhor. Mas qualquer caminhada é melhor do //que não caminhar. O pior é ser completamente sedentário”, disse Alpa resumindo os resultados em uma entrevista ao Medscape.

O novo estudo traz “uma descoberta interessante, mas talvez não surpreendente”, disse Roger Fielding, PhD, professor de nutrição e medicina da Friedman School of Nutrition Science and Policy, da Tufts University School of Medicine, em Boston, Massachusetts.

“O cerne da questão é que qualquer atividade física, neste caso, menos de duas horas por semana de caminhada, confere benefícios substanciais e clinicamente significativos em termos de mortalidade”, disse Fielding por e-mail ao Medscape. 

Este benefício é acentuado nas pessoas que atingem ou ultrapassam as metas recomendadas pelas diretrizes para a atividade física, resumiu o pesquisador, reforçando o que disse Alpa.

Há também uma relação proporcional entre a dose e a resposta em termos da frequência da atividade física feita durante mais de dois anos, inclusive a caminhada, na redução da mobilidade e do risco de degeneração funcional, acrescentou Fielding, citando o próprio estudo randomizado LIFE, publicado recentemente.

Alpa também apresenta os novos resultados em números absolutos, embora advertindo que estes números não estão controlados por fatores de confusão. 

A incidência geral de mortalidade padronizada pela idade para os participantes s/edentários é de 4.293 por 100.000. Esta mesma incidência é de 2.851 entre aqueles que andam menos do que o mínimo recomendado. Isto representa 1.442 mortes a menos por 100.000 pessoas do que para os participantes inativos. 

A incidência cai ainda mais entre aqueles que alcançaram e ultrapassaram as metas recomendadas de atividade física: foi de apenas 2.088 por 100.000 participantes entre os que caminhavam uma ou duas vezes mais do que o recomendado. “Considero estas reduções de risco importantes”, concluiu Alpa. 

A pesquisadora também disse ao Medscape que faz caminhadas diárias ao longo dos 300 metros de calçada na sede da American Cancer Society, em Atlanta, durante a sua jornada de trabalho, e nas imediações do Centennial Olympic Park

Seus colegas de trabalho fazem o mesmo. “Atualmente, muita gente faz reuniões caminhando, em vez de ficar sentada no escritório”, disse a pesquisadora. 

 ///Am J Med Ant. Publicado on-line em 19 de outubro de 2017.

Fonte: https://portugues.medscape.com

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